Défice de vitamina D associado a dor músculo-esquelética grave

Défice de vitamina D associado a dor músculo-esquelética grave

 

A vitamina D exerce múltiplas funções na biologia do osso, das doenças auto-imunes, no crescimento celular e neoplasias, na inflamação e nas funções neuro-musculares.

Existe cada vez mais evidência a suportar o papel central da Vitamina D no sistema músculo-esquelético, sendo a sua deficiência associada a diversas doenças, entre as quais se destacam o raquitismo, que ocorre na infância, a osteomalácia, que se desenvolve na idade adulta, e a osteoporose comumente vista em pessoas mais velhas. Todas estas situações levam a um aumento do risco de fraturas osteoporóticas e consequente morbidade e mortalidade. Para além disso, o défice de vitamina D está associado a dor músculo-esquelética grave, lombalgias crónicas inespecíficas, fraqueza muscular e redução do controlo postural, com consequente aumento do risco de quedas.

Ao longo dos últimos anos, tem-se demonstrado que a vitamina D desempenha um papel fulcral na fisiopatologia de muitas doenças. A sua deficiência é um problema global que afeta não só a qualidade do osso, aumentando o risco de fraturas, mas também promovendo doenças auto-imunes e várias neoplasias.

 

Vitamina D e a Saúde do Osso

A vitamina D tem um papel central no sistema músculo-esquelético, sendo a sua deficiência associada a diversas doenças ósseas metabólicas entre as quais se salientam o raquitismo, a osteomalácia e a osteoporose:

– Raquitismo: doença decorrente da mineralização inadequada do osso em crescimento. Entre os diferentes sintomas, as crianças com raquitismo podem apresentar alterações ósseas como deformidades nas pernas (arqueadas), atraso no encerramento das fontanelas, dismorfia craniofacial, dor músculo-esquelética e tetania, convulsões ou paragem cardíaca súbita secundária a hipocalcémia. Dependendo da sua gravidade, o raquitismo pode ser causa de internamentos e mesmo de morte.

– Osteomalácia: doença metabólica óssea caracterizada pela carência tanto de vitamina D como de fosfatos e consequente redução da mineralização óssea na idade adulta. Pode surgir em doentes com níveis séricos de vitamina D <25ng/mL. Manifesta-se frequentemente por sintomas inespecíficos, como dor músculo-esquelética localizada na região pélvica e nos ombros ou fraqueza muscular proximal. O diagnóstico da osteomalácia é realizado através de imagens de Raios X evidenciando diminuição da densidade mineral óssea e zonas de Looser (fraturas de stress “em ramo verde”), do cintigrama ósseo mostrando hipercaptação e da biópsia óssea.

– Osteoporose: doença caraterizada pela diminuição da densidade mineral óssea e por alterações da microarquitectura do osso. Pode ser causada, entre outros fatores, por um défice de vitamina D e associa-se ao aumento do risco de fraturas. Os locais mais comuns de fratura são a pélvis, vértebras, fémur proximal, úmero proximal e antebraço. O diagnóstico é confirmado através da medição da densidade mineral óssea da coluna lombar ou do colo do fémur, por um T-score ≤-2.5.

A prevalência de osteoporose pode chegar aos 30 por cento nas mulheres com idades compreendidas entre os 60 e 70 anos. Anualmente ocorrem cerca de 9 milhões de fraturas osteoporóticas por todo o mundo, mais frequentemente da anca ou do antebraço. Estudos demonstram que a suplementação de vitamina D mostrou uma redução significativa da incidência de fratura do colo do fémur, quando administrada em doses superiores a 792 UI/dia.

 

Vitamina D e Sarcopenia

Os níveis séricos de vitamina D influenciam a força e o tamanho das fibras musculares, bem como a performance do fuso neuromuscular. Vários estudos sugerem a existência de associação entre a redução da massa muscular e a diminuição dos níveis séricos de vitamina D com o envelhecimento, sendo responsáveis pela maior frequência de quedas nos idosos.

Indivíduos com níveis séricos de vitamina D mais elevados apresentam melhores performances musculares nos membros inferiores. Para além disso, alguns estudos demonstraram que indivíduos com níveis séricos mais elevados de vitamina D têm melhor controlo postural e menor número de quedas. Parece também existir uma associação entre os níveis séricos de vitamina D e dor difusa músculo-esquelética, dor lombar inespecífica e cefaleias, com melhoria destas queixas após suplementação com vitamina D.

No que concerne ao desporto, o efeito máximo da performance muscular parece ser atingido com níveis séricos de Vitamina D de 50ng/mL, não parecendo existir benefícios com níveis superiores.

 

Doenças crónicas como fator de risco para défice de vitamina D e resistência óssea reduzida (Osteoporose secundária)

Atendendo à multiplicidade de ações da vitamina D é fácil perceber que a sua deficiência constitui um fator de risco major para o desenvolvimento de doenças ósseas sistémicas, como a osteodistrofia hepática ou a osteopatia diabética. Nos doentes com doença hepática crónica, a deficiência de vitamina D está associada à alteração da expressão genética de vários citocromos com consequente diminuição da densidade mineral óssea. Para além disso, a hidroxilação de 25(OH)D em 1,25(OH)D renal é dificultada pelas doenças que envolvem a função hepática, como por exemplo, diabetes mellitus ou doença renal crónica.

Conclusões:

A vitamina D desempenha um papel fundamental tanto na saúde de uma forma geral como na qualidade de vida.

A severidade dos sintomas associados ao défice de vitamina D pode variar substancialmente dependendo da doença subjacente. O raquitismo, que ocorre na infância, e a osteomalácia, que se desenvolve na idade adulta, podem ser completamente tratados se diagnosticados atempada e adequadamente. A osteoporose é comumente vista em pessoas mais velhas, levando a um maior risco de fraturas osteoporóticas, com consequente morbidade e mortalidade.

Os estudos têm demonstrado que o défice de vitamina D também pode causar dor músculo-esquelética grave.

Em vários doentes com lombalgia crónica inespecífica e sem diagnóstico etiológico estabelecido foi encontrado défice de vitamina D, com melhoria clínica após a sua correção.

Desta forma, é importante considerar a possibilidade de deficiência de vitamina D no estudo de doentes com dor músculo-esquelética inespecífica, fraqueza muscular, redução do controlo postural, bem como fraturas após traumas de baixa energia.

De acordo com a literatura, níveis séricos de vitamina D >30ng/mL previnem doenças graves e devem ser o alvo terapêutico. Contudo, são necessários mais estudos com o intuito de elaborar recomendações sobre as doses adequadas de suplementação de vitamina D, a saúde óssea e o funcionamento e reabilitação muscular.

 

Súmula e tradução: Diogo Jesus, Médico Interno de Reumatologia. Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra

O Papel Crucial da Vitamina D no Sistema Músculo-esquelético

Review

Crucial Role of Vitamin D in the Musculoskeletal System

Elke Wintermeyer, Christoph Ihle, Sabrina Ehnert, Ulrich Stöckle, Gunnar Ochs, Peter de Zwart,

Ingo Flesch, Christian Bahrs and Andreas K. Nussler *

Nutrients 2016, 8, 319; doi:10.3390/nu8060319

 

 

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