Deficiência de Vitamina D na gravidez está associada a piores outcomes antropométricos do recém-nascido e maior risco de parto pré-termo

Deficiência de Vitamina D na gravidez está associada a piores outcomes antropométricos do recém-nascido e maior risco de parto pré-termo

“Vitamin D status during pregnancy and offspring outcomes: a systematic review and meta-analysis of observational studies”

 

Estudos recentes referem que a deficiência da vitamina D tem uma prevalência elevada na gravidez (20-40%), particularmente em grupos de alto risco que inclui mulheres com exposição solar limitada e vegetarianas.

Dado que o nível de vitamina D fetal e neonatal está diretamente dependente do seu nível materno, estudos prévios têm demonstrado que a deficiência da vitamina D durante o período pré-natal está associada a um aumento do risco de desfechos obstétricos e neonatais adversos. A ocorrência de parto pré-termo (PPT), recém-nascidos leves para a idade gestacional (LIG), baixo peso e comprimento ao nascer, perturbações do neurodesenvolvimento e distúrbios comportamentais são algumas das associações encontradas na literatura, apesar dos resultados ainda inconsistentes e contraditórios. Além disso, não é consensual a concentração ótima de 25-hidroxivitamina D (25(OH)D) na gravidez para evitar a ocorrência destes desfechos.

Esta revisão sistemática e meta-análise que incluiu 54 estudos originais (total de 67 484 grávidas adultas saudáveis) teve como objetivo avaliar a associação entre a concentração pré-natal de vitamina D (utilizando 3 diferentes cut-offs de 25(OH)D – 30, 50 e 75 nmol/L) e as medidas antropométricas (peso e comprimento ao nascer, perímetro cefálico e LIG), PPT, desenvolvimento cognitivo, da linguagem e motor.

Os principais resultados deste estudo demonstraram que os desfechos neonatais adversos resultantes da carência materna de vitamina D dependem essencialmente do grau da deficiência. Um estado de deficiência de vitamina D (25(OH)D < 30 nmol/L) esteve associada a uma redução média de 87.82g (95% IC – 119.73 a -55.91) do peso ao nascer e redução média de 0.19 cm (95% IC -0.32 a -0.06) no perímetro cefálico. Neste estudo, o nível materno de vitamina D não teve efeito no comprimento ao nascer.

Além disso, o estudo demonstrou que uma concentração 25(OH)D <50 nmol/L é suficiente para aumentar o risco de PPT (OR 1.28; 95% IC 1.08-1.52) e de recém-nascidos LIG (OR 1.43, 95% IC 1.08-1.91). Níveis subótimos de vitamina D (cut-off 75nmol/L) não tiveram influência nos parâmetros antropométricos e risco de PPT.

Esta constituiu a primeira meta-análise a demonstrar que níveis insuficientes de vitamina D (<50nmol/L) estiveram associados a pior desenvolvimento cognitivo e da linguagem. O desenvolvimento motor demonstrou ser independente do status materno de vitamina D.

O grande número de participantes incluídas nesta revisão condicionando uma maior heterogeneidade étnica e social e consequentemente múltiplos fatores confundidores foi apontado como uma das principais limitações do estudo. Contudo, a maioria demonstrou manter uma associação estatisticamente significativa entre os níveis de vitamina D e os desfechos analisados após controlo desta heterogeneidade. Outra limitação apontada foi o reduzido número de estudos existentes sobre o impacto dos níveis de vitamina D no desenvolvimento neurocomportamental, condicionando conclusões pouco consistentes e a necessidade de estudos posteriores neste domínio.

Por fim, esta revisão demonstrou que a avaliação do status de vitamina D em mulheres grávidas, particularmente no grupo de alto risco de deficiência, pode ser benéfica e deve ser interpretada num contexto clínico individual.

Contudo, este estudo pela sua natureza e limitações não é suficiente para recomendar por rotina a suplementação de vitamina D durante a gravidez.

Atualmente, não está recomendado pela Organização Mundial de Saúde e Colégio Americano de Ginecologistas e Obstetras a suplementação com vitamina D durante a gravidez por rotina ou para prevenção de parto pré-termo, pela evidência científica ainda limitada sobre os seus benefícios e riscos. Assim, mantem-se a necessidade de concretização de estudos randomizados multicêntricos em curso.

Fonte: 

Monica Tous, Marcela Villalobos, Lucia Iglesias, Sílvia Fernández-Barrés, Victoria Arija Vitamin D status during pregnancy and offspring outcomes: a systematic review and meta-analysis of observational studies. European Journal of Clinical Nutrition.  (https://doi.org/10.1038/s41430-018-0373-x)

 

Autor:

Ângela Rodrigues

Interna de Formação especifica de Ginecologia e Obstetrícia, CHUC

Assistente convidada da Valência de Ginecologia da Faculdade de Medicina de Coimbra

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