Fragilidade está associada a baixos níveis de vitamina D em idosos portugueses

Fragilidade está associada a baixos níveis de vitamina D em idosos portugueses

Resultados do estudo Nutrition UP 65 revelam que os idosos portugueses frágeis têm maior risco de ter baixas concentrações séricas de 25(OH)D.

 

A deficiência de vitamina D é um problema comum a nível mundial e os idosos portugueses não são exceção. Apesar das consequências bem conhecidas desta vitamina na saúde óssea, esta hormona parece ter também um papel importante a nível do músculo esquelético, influenciando nomeadamente o seu desempenho e função. A fragilidade é uma síndrome geriátrica comum em idosos e, em Portugal, estima-se que cerca de 20% dos idosos com mais de 64 anos são frágeis e mais de metade são pré-frágeis.

No âmbito do estudo Nutrition UP 65, 1447 idosos portugueses com idade igual ou superior a 65 anos, foram estudados quanto ao seu estado de fragilidade e concentrações séricas de 25-hidróxi-vitamina D (25(OH)D). Neste estudo, o estado de fragilidade foi identificado de acordo com a definição mais usada e aceite a nível mundial, proposta por Fried et al., em que a presença de três ou mais dos seguintes critérios identifica fragilidade: perda de peso não intencional, exaustão, lentidão na marcha, baixa força muscular e baixo nível de atividade física. Quando apenas um ou dois destes critérios estão presentes identifica-se um estado de pré-fragilidade. A associação entre as características dos participantes, nomeadamente o seu estado de fragilidade, e os níveis de vitamina D foi estudada através de regressão logística multinomial, usando o quartil mais elevado de concentrações séricas de 25(OH)D como categoria de referência.

Os resultados deste estudo transversal revelam que os indivíduos pré‑frágeis e frágeis têm respetivamente 2.65 (95% CI: 1.63–4.33) e 3.77 (95% CI: 2.08–6.83) vezes maior risco de ter concentrações séricas de 25(OH)D entre 3.0–8.7 ng/mL (primeiro quartil). Associação esta que é independente do sexo, idade, escolaridade, consumo de bebidas alcoólicas, hábitos tabágicos, fenótipo cutâneo, suplementação de vitamina D, altura da recolha de sangue, índice de massa corporal e desempenho cognitivo. O facto de os idosos frágeis provavelmente passarem menos tempo envolvidos em atividades ao ar livre e, consequentemente terem uma exposição solar reduzida, poderá em parte explicar esta associação. Contudo, por outro lado, a evidência científica também sugere a presença do recetor da vitamina D (VDR) no músculo, que poderá ser responsável por mediar múltiplos efeitos a este nível.

 

Autor: Ana Rita Sousa Santos, FCNAUP-Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação, Universidade do Porto, Porto, Portugal

Referências:

Sousa-Santos AR, Afonso C, Santos A, Borges N, Moreira P, Padrão P, et al. The association between 25(OH)D levels, frailty status and obesity indices in older adults. PLoS One. 2018 Aug 28;13(8):e0198650.

Sousa-Santos AR, Afonso C, Moreira P, Padrão P, Santos A, Borges N, et al. Weakness: The most frequent criterion among pre-frail and frail older Portuguese. Arch Gerontol Geriatr. 2018 Jan;74:162–8.

Santos A, Amaral TF, Guerra RS, Sousa AS, Álvares L, Moreira P, et al. Vitamin D status and associated factors among Portuguese older adults: results from the Nutrition UP 65 cross-sectional study. BMJ Open. 2017 Jun 22;7(6):e016123.

Fried LP, Tangen CM, Walston J, Newman AB, Hirsch C, Gottdiener J, et al. Frailty in older adults: evidence for a phenotype. J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2001 Mar;56(3):M146-56.

div#stuning-header .dfd-stuning-header-bg-container {background-image: url(http://forumd.org/forumd/wp-content/uploads/2018/06/Background-2000x800.jpg);background-size: cover;background-position: center center;background-attachment: scroll;background-repeat: no-repeat;}#stuning-header div.page-title-inner {min-height: 240px;}