Níveis baixos de Vitamina D em jogadores de futebol

Níveis baixos de Vitamina D em jogadores de futebol

“Deficiência de Vitamina D em jogadores de futebol e efeito da suplementação durante 8 semanas”

Este estudo procurou não só identificar quais os níveis basais no plasma de 25-hidroxivitamina D [25(OH)D] e de cálcio em atletas de futebol profissional na latitude de 40ºN, mas também avaliar a relação entre o valor de 25(OH)D no plasma e o tipo de pele do atleta (de acordo com a escala de Fitzpatrick), avaliar o impacto da suplementação com 1667 IU/dia de colecalciferol durante 8 semanas (25.000 IU via oral a cada duas semanas) nestes níveis e, por fim, avaliar eventual toxicidade desta suplementação.

A investigação foi efetuada em atletas com idades compreendidas entre 18 e 34 anos, que realizavam o treino da equipa a uma latitude de 40ºN. O estudo foi realizado no Inverno e foram excluídos os atletas que desenvolveram lesões que implicassem a sua suspensão do treino. Numa fase inicial foram incluídos 28 atletas, tendo concluído este estudo 21 atletas.

O doseamento inicial concluiu que 25 dos 28 atletas (89,3%) tinham níveis de vitamina D abaixo do normal, valores mais preocupantes do que seria de esperar. Mostrou também que quanto maior fosse a quantidade de melanina na pele (avaliada pelo tom de pele na escala de Fitzpatrick), maior o grau de deficiência de vitamina D. Esta alta prevalência de valores baixos desta vitamina poderá ser explicada pela alta percentagem de atletas com escala de Fitzpatrick ≥ 3 deste estudo, pela elevada latitude durante a exposição solar e pelo facto de o estudo ter sido realizado no Inverno.

Após 8 semanas de suplementação verificou-se um aumento estatisticamente significativo dos níveis plasmáticos de 25(OH)D (11,74 ± 5,988; IC 95%; ρ<0,001). Mesmo com esta suplementação, foi constatado que 6 dos 21 atletas (28,6%) que concluíram o estudo apresentavam valores de vitamina D abaixo do desejado. Verificou-se também, com significado estatístico, uma subida mais acentuada dos níveis de vitamina D em atletas com tons de pele mais escura, sugerindo que atletas com maior défice desta vitamina respondam melhor à suplementação. Este achado sugere que doses iguais de suplementação possam ser usadas tanto em atletas com maiores níveis como em atletas com menores níveis plasmáticos de vitamina D, já que estes últimos poderão responder melhor. Nenhum atleta obteve níveis de 25(OH)D perto do valor superior de normalidade e nenhuma toxicidade foi reportada.

Ao contrário do que seria de esperar, foi observada uma redução estatisticamente significativa nos níveis de cálcio (-0,36 ± 0,457; IC 95%; ρ=0,002) com a suplementação efetuada. Como possível justificação os investigadores mencionam que ao longo do estudo não foi controlada a ingestão de cálcio pelos atletas, sendo possível que tenham tido uma baixa ingestão de cálcio durante o período de tempo de suplementação, o que impossibilitou uma maior absorção intestinal deste ião para compensar o intenso gasto muscular dos treinos.

O estudo conclui que, tendo em conta os valores iniciais de vitamina D dos atletas é possível que todos os atletas, na latitude de 40ºN, necessitem e beneficiem de suplementação com colecalciferol, pelo menos no Inverno, mesmo em desportos ao ar livre. Esta necessidade de suplementação torna-se mais evidente nas pessoas com valores altos na escala de Fitzpatrick (tons de pele mais escura).

É relembrado ainda neste estudo que níveis plasmáticos adequados de vitamina D assumem um papel importante na prevenção de lesões (tais como fraturas de stress) que podem afetar os atletas profissionais e, provavelmente, na melhoria do desempenho na prática desportiva.

 

Texto elaborado por:

Dr. Paulo André Lopes, Interno de formação específica de Medicina Geral e Familiar

Dr. Alexandre Rebelo Marques, Especialista em Medicina Geral e Familiar, Clínica do Dragão, Espregueira-Mendes Sports Cente- FIFA Medical Centre of Excellence

 

Referência: Teixeira P, Santos AC, Lopes JC et al, Prevalence of vitamin D deficiency amongst soccer athletes
and effects of 8 weeks supplementation. The Journal of Sports Medicine and Physical Fitness 2018 Oct 31. The Journal of Sports Medicine and Physical Fitness 2018 Oct 31

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