Vitamina D  e Cancro

Vitamina D  e Cancro

Nos últimos anos, têm vindo a ser desenvolvidos estudos observacionais e alguns ensaios clínicos que nos têm fornecido algumas pistas que apontam para a capacidade que a vitamina D pode ter como fator adjuvante na prevenção e tratamento do cancro.

Segundo o projeto GLOBOCAN – projeto da agência internacional de investigação no cancro da OMS (IARC) – estima-se que, em 2018, existam 58199 novos casos de cancro e 28960 mortes por esta doença em Portugal. As estimativas deste projeto preveem ainda que a incidência e mortalidade por cancro apresentem uma tendência crescente ao longo dos anos (estão disponíveis estimativas até 2040) (1). Perante estes números, é imperativo que se estudem e encontrem soluções para tentar travar esta progressão.

Nos últimos anos, têm vindo a ser desenvolvidos estudos observacionais e alguns ensaios clínicos que nos têm fornecido algumas pistas que apontam para a capacidade que a vitamina D pode ter como fator adjuvante na prevenção e tratamento do cancro. Segundo experiências celulares realizadas tanto in vitro como in vivo, o metabolito ativo da vitamina D, a 1,25(OH)D, parece ser capaz de modular vários dos fatores envolvidos na carcinogénese através das suas ações biológicas, tendo capacidade para exercer o controlo do ciclo celular, a interrupção do crescimento da célula cancerígena e estimulação da diferenciação celular, a apoptose, a inibição da invasão e metástase, promover efeitos anti-inflamatórios e inibir a angiogénese tumoral (2, 3). Contudo, para que estes “efeitos anticancerígenos” ocorram, a concentração sérica de 25(OH)D tem de ser, pelo menos, superior a 30ng/ml (suficiência) (4), o que não se verifica na maioria da população dada a elevada prevalência de carência nesta vitamina (5-8).

Apesar de existirem resultados promissores no que respeita ao efeito de uma concentração sérica suficiente desta vitamina, como demonstrado, por exemplo, através do estudo Keum et al., 2014 (9), Budhathoki S et al., 2018 (10) e do estudo Hohaus S et al., 2017 (11), existem também estudos a concluir que ainda não existem evidências de que a vitamina D reduza a incidência e mortalidade por cancro, como demonstrado pela revisão sistemática e meta-análise de RCT´s, Goulão B el al., 2018 (12).

Dado o que já se conhece hoje, é crucial que a investigação continue de modo a que se compreenda o verdadeiro potencial desta vitamina na doença oncológica e se descubra qual a concentração sérica ótima para que os efeitos anticancerígenos se manifestem, bem como a dose de vitamina D necessária para a atingir. Neste sentido, grandes expectativas se colocam nos ensaios clínicos de grande escala (N>10000 participantes) que se encontram a decorrer em todo o mundo com suplementação de vitamina D e nos quais o cancro é um dos principais endpoints (VITAL, D-Health, FIND, VIDAL).

Referências: 1)IARC. GLOBOCAN 2018 [Internet];  [citado a 12 out 2018]. Disponível em: http://globocan.iarc.fr. 2)Krishnan AV, Trump DL, Johnson CS, Feldman D. The role of vitamin D in cancer prevention and treatment. Endocrinol Metab Clin North Am. 2010;39(2):401–18. 3)Holick MF. Vitamin D: its role in cancer prevention and treatment. Prog Biophys Mol Biol. 2006;92(1):49-59.

Resumo da Conferência proferida por Dra. Joana Silva, no âmbito da 4ª edição do Fórum 2018; ver versão integral

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