Vitamina D e Trabalho. Onde estamos? Para onde queremos ir?

Vitamina D e Trabalho. Onde estamos? Para onde queremos ir?

O tema da Vitamina D tem sido amplamente discutido pela sociedade científica, focado essencialmente nos défices e nas suas causas. Sabe-se a este respeito, que a principal fonte de produção desta vitamina se dá através da exposição solar (responsável por 80 a 90% da sua síntese), sendo o restante obtido através da dieta.

Vários estudos têm apontado para um défice de vitamina D em todo o mundo, incluindo a população portuguesa. O que é curioso considerando que no nosso país o sol brilha quase todo o ano.

Importa, assim, refletir sobre este paradoxo.

A exposição solar diária tem sido amplamente recomendada, mas na verdade, verificamos que as pessoas em idade ativa passam uma grande parte do seu tempo “fechadas” no local de trabalho. Isto significa que poderá haver muitos trabalhadores com pouca ou nenhuma exposição solar durante praticamente todo o dia. Particularmente no contexto ocupacional, assistimos desde há bastante tempo a uma mudança no paradigma das organizações de trabalho. Tem aumentado a realização de trabalho indoor e processos de laboração contínua, com a consequente realização de turnos rotativos e turnos noturnos contínuos. Aliado a este facto, a utilização frequente de protector solar, as alterações na dieta e as alterações do estilo de vida (exercício físico e atividades lúdicas indoor), podem contribuir para o agravamento desta problemática.

No seguimento desta preocupação, foi recentemente publicado um estudo realizado na Escandinávia que evidenciou um défice mais acentuado em trabalhadores com turnos noturnos ou rotativos, quando comparados com aqueles que realizavam turnos diurnos fixos.

As equipas de Saúde Ocupacional tendem a focar-se na questão da exposição solar excessiva, particularmente em profissões cujo trabalho se desenvolve ao ar livre (trabalhadores da construção civil, pescadores, agricultores, motoristas e até mesmo desportistas profissionais), podendo por vezes negligenciar a “outra face da moeda”. O Médico do Trabalho, deve estar sensibilizado para os fatores de risco, e para o reconhecimento precoce dos sinais e sintomas.

Ainda assim, a aposta na prevenção deverá ser sempre o primeiro passo. Aqui, as equipas de Saúde Ocupacional podem e devem assumir um papel ativo na implementação de estratégias para combater esta “epidemia”. Uma solução poderia passar pela sensibilização das entidades empregadoras para o potencial efeito positivo de permitir exposição solar durante o horário laboral.

 

Autor:

Vítor César Pinheiro
Médico do Trabalho no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
Mestre em Medicina do Desporto pela Faculdade de Medicina da Universidade
Pós-graduado em Saúde Ocupacional pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra

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