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IMPRENSA

A importância da Vitamina D (com video)


O reumatologista e um dos promotores do Fórum D, Dr. Pereira da Silva, esteve na Edição da Manhã para falar da importância da vitamina D, quando se sabe que apesar de vivermos num país onde o sol brilha grande parte do ano, muitos portugueses apresentam défice desta vitamina.

As 4 vitaminas recomendadas por um cardiologista (em inglês)


O mundo das vitaminas e suplementos é confuso. Todas apresentam os seus benefícios para a saúde, mas se tudo fosse verdade iria acabar por tomar centenas de suplementos por dia. Como saber quais é que vale a pena ter atenção? Fique a saber!

Vitamina D aumenta esperança de vida


Estudo norte-americano relaciona níveis demasiado baixos de vitamina D com o desenvolvimento de certas doenças, como as do foro cardíaco, diabetes e hipertensão.

VIDEOS

O Popular Dr. Oz aponta as Vantagens da Vitamina D


O Dr. Oz também conhecido da televisão Portuguesa refere os niveis preocupantes de carência de Vitamina D nos Estados Unidos da América e as vantagens que esta pode trazer.

A Verdadeira História da Vitamina D


Uma reportagem da CBN News sobre os efeitos da Vitamina D e os efeitos benéficos que demonstra ter contras as infecções virais entre outros.

A Vitamina D na Prevenção do Cancro


O Dr. Meschino um dos pioneiros na criação de vídeos educativos sobre medicina na Internet fala sobre a Vitamina D e a sua importância na prevenção do cancro.

Uma extensa compilação de artigos sobre Vitamina D, com link para pubmed ou fontes semelhantes.

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Nota de esclarecimento sobre reportagem da SIC (21/04/2017)

Publicado 26 de Abril de 2017

O Fórum D vem por este meio prestar os seguintes esclarecimentos relativos à reportagem da SIC, nas matérias pertinentes ao Fórum D e aos estudos conduzidos pelo seu Diretor Científico.

(Pode ver ou rever a reportagem original aqui: link 1 ou link 2)

Pontos de destaque:

  • Os resultados apresentados pela SIC, sendo reais, nunca foram validados nem publicados. Foram obtidos de documentos produzidos para uso restrito do grupo de investigadores, por métodos desconhecidos, mas sem autorização dos seus legítimos proprietários.
  • Os investigadores reiteram a validade dos métodos que utilizaram e a sua total independência relativa a interesses comerciais.
  • Os investigadores de Coimbra mantêm a convicção de que existe uma prevalência muito elevada de carência de Vitamina D na população portuguesa, cujos valores exatos não estão ainda determinados.
  • Refutamos, em absoluto, qualquer relação entre o estudo realizado e oralmente comunicado em Coimbra e o aumento do consumo de Vitamina D e das suas análises, cujo origem está provavelmente radicada no aumento do conhecimento sobre a matéria e na disponibilização em Portugal de novos suplementos e de acesso facilitado à análise em causa.
  • O Fórum D reitera a sua independência científica relativamente aos seus sponsors, cuja identidade está, desde sempre, transparentemente revelada. 

O estudo da prevalência da carência de Vitamina D na população portuguesa, com base no estudo epidemiológico EpiReumaPt, foi proposto em 2014. A necessidade de um estudo desta natureza e abrangência não é contestável.

O EpiReumaPt recolheu, entre 2011 e 2013, dados clínicos e amostras sanguíneas de mais de 4000 participantes voluntários de todo o país no contexto de um estudo sobre a epidemiologia das doenças reumáticas. As amostras de mulheres com mais de 65 anos foram analisadas de imediato, a fresco, em Lisboa pelo método Liaison da DiaSorin. Os investigadores de Coimbra propuseram, em 2015, ao EpiReumaPt concluir o estudo epidemiológico da vitamina D em toda a população nacional, através da análise dos seus valores nas amostras restantes, preservadas em Biobanco. Propuseram ainda que se procedesse à reanálise de uma parte das amostras já analisadas em Lisboa, por forma a padronizar os resultados dos dois estudos e permitir a sua congregação. Esse projeto foi aprovado pela Comissão de Ética da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e o uso das amostras do Biobanco foi autorizado pela sua Comissão Científica.

O método ADVIA Centaur, da Siemens, foi o escolhido pelos investigadores de Coimbra por ser o único dos métodos de acesso corrente em Portugal que se encontrava, nessa altura, certificado pelo Center for Disease Control (dos E.U.A.)[1]. Na ausência de financiamento próprio, os investigadores contactaram a Siemens, que acedeu realizar essas análises gratuitamente num equipamento disponível em Coimbra, tendo o seu técnico sido acompanhado por um dos investigadores em todos os procedimentos técnicos. As análises foram realizadas em amostras congeladas, o que não constitui, face à evidência conhecida, uma limitação ou causa de erro importante.

Os aspetos factuais

Os resultados referentes à população adulta entre os 18-64 anos foram oralmente comunicados, a título preliminar, no Fórum D 2016, que teve lugar em Coimbra a 15 de Outubro de 2016 e amplamente citados nos meios de comunicação social. Estes resultados nunca foram publicados nem dados a conhecer de outra forma, ao contrário do que a peça da SIC afirma.

Os investigadores, de Coimbra e de Lisboa, foram surpreendidos por um inesperado e acentuado desencontro entre os valores obtidos por um e outro grupo, no conjunto de 221 amostras que analisaram em duplicado com os objetivos acima indicados. Estes dados foram vertidos num documento de trabalho para discussão interna, distribuído apenas aos investigadores e à direção do laboratório que fez as análises a fresco. Este documento visava servir de base ao trabalho científico necessário para esclarecer as razões da discrepância. Estes resultados nunca foram publicados nem apresentados publicamente, mas foram obtidos pela SIC, mercê de meios que desconhecemos, mas que entendemos equiparáveis a espionagem científica. Com efeito, os dados citados na reportagem são os que constam desse documento e não os que foram apresentados em Coimbra, ao contrário do que a reportagem indica. Na impossibilidade de ter uma verificação pelo método gold-standard, os investigadores estão, desde Dezembro de 2016, empenhados em encontrar explicações para a discrepância observada e resolvê-la, tendo por isso adiado a publicação dos seus trabalhos. Não chegaram ainda a conclusões, ao contrário da jornalista da SIC.

O Diretor do Fórum D e investigador principal do Grupo de Coimbra informou a jornalista que se recusava a prestar declarações por entender que um assunto de índole científica que não estava ainda cientificamente esclarecido não poderia ser abordado de forma construtiva, e muito menos esclarecido, na praça pública. Apelou, pelo contrário à jornalista, para que se mantivesse na disposição de dar visibilidade ao assunto quando ele estivesse esclarecido.

O Fórum D, referido na peça, existe, pública e transparentemente visível, com apoios de parceiros comerciais transparentemente comunicados. Orgulha-se de tentar servir a saúde pública por contribuir para aumentar, através de informação cientificamente credível, para a visibilidade de um problema de saúde pública que tardava a ser reconhecido em Portugal. O corpo editorial deste website goza e usa de total independência nos conteúdos que seleciona para aqui apresentar, de entre a literatura científica publicada em revistas indexadas. A isenção dos colaboradores é bem patente na Declaração do Fórum D 2016, onde se apresenta a evidência de associação (ou não) de deficiência de Vitamina D com diversas patologias, mas na qual igualmente se destaca a ausência de evidência na atualidade para a suplementação de Vitamina D como tratamento das mais diversas patologias ou para suplementação maciça da população. À jornalista só interessou o facto de o Fórum D ser sponsorizado por laboratórios.

As insinuações e extrapolações da reportagem

Embora tal nunca seja dito explicitamente, o espectador é conduzido, inteligente e não inocentemente, pela reportagem a pensar que

1. O Método da Siemens dá resultados artificialmente baixos, visando aumentar o consumo de exames e, talvez, de suplementos, e 2. O aumento de gastos do SNS em Vitamina D são consequência do alarme causado pelo estudo de Coimbra.

As razões para escolha do método Siemens são apresentadas acima: ele era, à data da decisão, o único método corrente com a certificação internacional de qualidade acima referida.

É, obviamente, incoerente sugerir que um estudo apresentado oralmente a uma plateia de 150 pessoas em Outubro de 2016 seja responsável por um aumento de custos referenciado ao período 2014-2016! É, obviamente, pouco profissional ignorar todos os outros estudos que o fizeram antes disso e cujos resultados estão, no essencial, em linha com os agora referidos (vd abaixo).

Os dados descritos na reportagem (15,7 vs 71,7% de carência em mulheres pós-menopáusicas) nunca foram tornados públicos, a não ser pela SIC em 21 de Abril de 2017. Os dados apresentados oralmente em Coimbra, indicavam que cerca de 65% das pessoas com 18 a 64 anos tinham carência de Vitamina D. Veremos abaixo que estes dados não são descabidos nem exagerados relativamente a outros estudos nacionais e internacionais.

Inteligentemente a jornalista indica que, “sabendo que nenhum dos estudos foi validado pela amostra de referência é impossível saber qual deles está certo”. Contudo, logo se segue: “Certo é que o SNS está a gastar muito mais do que estava em Vitamina D”. A insinuação de dolo que daqui lança sobre o método Siemens e os Investigadores que apontam os valores mais altos de carência é tão óbvia que não pode ser considerada inocente.

O que a SIC escolheu ignorar

A prevalência de deficiência de vitamina D apresentada no Fórum D, aproximadamente 65%, ou mesmo a obtida por espionagem do nosso documento interno naquela subpopulação – 71,7%, é idêntica à referida em outros estudos realizados em Portugal (com recurso a diferentes métodos de análise), alguns publicados em revistas científicas e muitos amplamente difundidos na imprensa. Com efeito, e à luz da evidência nacional disponível, os valores apresentados em nome dos investigadores de Coimbra são muito mais próximos do esperado que os atribuídos a Lisboa[2]. Estes valores estão em linha também com estudos internacionais.

Um trabalho pan-europeu publicado por Cashman e colaboradores [3], com recurso a metodologia de programas de estandardização do doseamento de Vitamina D, indica que 40,4% da população europeia estudada (n>55000) apresentava deficiência de Vitamina D, com valores nacionais variando entre 36,8 e 63,7%.

A jornalista escolheu ignorar estes estudos, bem mais capazes de dar coerência à sua tese da ligação entre os estudos e os gastos, talvez porque eles questionariam o elemento de suspeição (sobre o método Siemens e os investigadores de Coimbra), que dá mais sabor às teorias da conspiração de que se alimenta o jornalismo de investigação de má qualidade.

A jornalista escolheu ignorar a possibilidade de que estes estudos estão a evidenciar um problema real de saúde em Portugal, excessivamente ignorado até há pouco, e que o aumento de custos corresponde a uma necessidade, sentida, aliás, também em muitos outros países, nos quais este “ajuste” se deu há muitos anos. Nesse sentido, Portugal estaria a recuperar de uma falha de gestão do problema ao invés de ser vítima de uma cabala. Mas teria essa teoria vantagens para o sucesso da dita “reportagem”?

Com um pouco de esforço, a jornalista teria concluído que um aumento idêntico de custos se tem verificado em muitos outros países como o Canadá[4], a Itália[5] ou a Nova Zelândia[6], e mesmo em Portugal, muito antes dos estudos que toma como causa: num estudo realizado entre 06 de junho de 2012 e 13 de novembro de 2014 no Hospital de Braga verificou-se um aumento do número de pedidos mensais dessas análises de 10 vezes nesse período[7]. Com um pouco mais de apego à procura da verdade por detrás da sedutora teoria da conspiração, teria verificado que há muito se observa um aumento exponencial das publicações sobre Vitamina D em todo o Mundo (799 no ano 2000; 2636 em 2010 e 4373 em 2016, só na PubMed), facto que traduz o interesse internacional na matéria, ao qual nenhum médico deve estar alheio. Teria questionado a ausência de uma política nacional de combate à carência da Vitamina D por comparação com outros países. Teria também comparado o preço da Vitamina D e das suas análises, em Portugal com o de outros países. e teria ainda explorado a relação entre a aumento das análises de Vitamina D em Portugal e a sua inclusão no lote de exames comparticipados pelo Estado a um preço que os laboratórios de análises consideram “interessante”. Teria também investigado a relação entre o aumento de gastos com Vitamina D em Portugal e a autorização de introdução no mercado de vários novos suplementos desta vitamina, a preços mais elevados do que os que já existiam.

Questões relativas aos diversos métodos existentes para determinação de níveis séricos de praticamente todas as substâncias, incluindo a Vitamina D, têm sido amplamente discutidos entre a comunidade científica e médica, assim como outros pontos importantes, como os níveis de normalidade. Estes aspetos foram, deliberadamente ou não, ignorados.

Por tudo isto concluímos que a reportagem da SIC prestou um mau serviço à ciência, à saúde e à verdade, não sendo improvável que o tenha feito ao serviço, deliberado ou não, de interesses comerciais competitivos no terreno da Vitamina D.

Prof. José António Pereira da Silva

Diretor Científico Fórum D & Professor de Reumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra

 


[1] https://www.cdc.gov/labstandards/pdf/hs/CDC_Certified_Vitamin_D_Procedures.pdf

[2]·  Pelo menos 92,7% de 123 doentes internados num serviço de Medicina Interna Português (Santiago T et al  Acta Med Port 2012 Mar-Apr;25(2):68-76 

  • 92,5% de crianças e adolescentes observadas numa consulta de Pediatria do Porto (Ferreira S et al. Revista SPCNA 2012 · Volume 18 · Nº 2 )
  • 81,1% de 5 439 doseamentos, correspondendo a 3 257 doentes diferentes, estudados no Serviço de Patologia Clínica do Hospital de Braga entre 06 de junho de 2012 e 13 de novembro de 2014, (o método DiaSorin) (Acta Med Port 2015 Nov-Dec;28(6):726-734 ) Nota: este estudo descreve uma aumento significativo do número de pedidos ao longo do tempo de análise, todo ele prévio ao nosso estudo.
  • 48% de 198 de dadores de sangue (18-67 anos de idade, saudáveis!) no Porto (74% entre as amostras colhidas no Inverno!) (Bettencourt et al. J Steroid Biochem Mol Biol. 2016 Nov 5. pii: S0960-0760(16)30298-9. doi: 10.1016/j.jsbmb.2016.11.005. 
  • 68,9% de 1500 idosos portugueses genericamente saudáveis - Faculdade de Ciências da Nutrição e da Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP), Estudo UP65. Nota: neste estudo foi utilizado um método de análise diferente – o da Roche (http://www.viversaudavel.pt/noticia/idosos-portugueses-vitamina-d-excesso-de-peso-sal-investigacao)
  • 83,65% dos 316 utentes de centros de saúde do Porto “não apresentam níveis de vitamina D adequados, 25,96% tem níveis de insuficiência e 57,69% denotam défice”. (http://arquivo.jm-madeira.pt/artigos/estudo-envolvendo-316-utentes-do-porto-aponta-n%C3%ADveis-de-vitamina-d-abaixo-do-adequado)

[3] Cashman et al. Vitamin D deficiency in Europe: pandemic? Am J Clin Nutr 2016;103:1033–44.

[4] ONTARIO, H. Q. Clinical utility of vitamin d testing: an evidence-based analysis. Ont Health Technol Assess Ser, v. 10, n. 2, p. 1-93,  2010. ISSN 1915-7398. 

[5] Lanzoni et al. J Eval Clin Pract 2017; 1–8

[6] Bolland et al. N Z Med J, 2012 Feb 10:125(1349):83-91

[7]  Santos et al. Acta Med Port 2015 Nov-Dec;28(6):726-734