A Vitamina D pode ter um papel preventivo no declínio cognitivo, indica estudo de grandes dimensões na China

A Vitamina D pode ter um papel preventivo no declínio cognitivo, indica estudo de grandes dimensões na China

Retardar o processo de declínio cognitivo pode ter implicações extremamente importantes na saúde da população idosa. Devido à relação entre carência de vitamina D e doenças músculo-esqueléticas e neurodegenerativas, alguns estudos têm explorado o efeito da vitamina D no declínio cognitivo em idosos.

Á medida que a população envelhece vertiginosamente, também os custos com cuidados de saúde aumentam. O processo de envelhecimento coloca mais indivíduos em risco de determinadas condições clínicas como a artrite, a doença cardiovascular, um sistema imunológico enfraquecido e consequentemente infecções, cancro e doenças cognitivas, tais como demência, doença de Alzheimer e Parkinson. Embora existam muitos fatores de risco não-modificáveis associados a algumas dessas condições, como genéticos, idade ou género, há igualmente muitos fatores de risco modificáveis. Alterações do estilo de vida podem diminuir significativamente o risco de várias doenças, o que pode resultar numa melhor qualidade de vida ou menos custos com cuidados de saúde, entre outros benefícios.

O declínio cognitivo é uma condição que alguns indivíduos idosos irão inevitavelmente experienciar, como resultado quer do envelhecimento saudável como patológico. Os indivíduos podem experimentar um declínio visível nas habilidades cognitivas como o raciocínio, memória e linguagem. Isto pode ter efeitos graves sobre a independência dos idosos, o que pode diminuir a qualidade de vida significativamente.

Retardar o processo de declínio cognitivo pode ter implicações extremamente importantes na saúde da população idosa. Devido à relação entre carência de vitamina D e doenças músculo-esqueléticas e neurodegenerativas, alguns estudos têm explorado o efeito da vitamina D no declínio cognitivo em idosos. A evidência científica disponível sugere que a vitamina D pode ter um efeito neuroprotector e uma pela potencialmente relevante na prevenção do declínio cognitivo.

Num estudo recente, os investigadores avaliaram uma população chinesa de idosos, durante o período de 2 anos, com o objectivo de determinar se a vitamina D teria um efeito sobre o declínio cognitivo. Os investigadores incluíram 1.202 indivíduos com idade superior a 60 anos. Foram medidos os níveis de vitamina D e função cognitiva no início e final do estudo. A função cognitiva foi avaliada através da versão chinesa do Exame do Estado Mini-Mental (MMSE), um teste que mede a orientação dos participantes, memória, atenção, cálculo, linguagem, escrita e construção visual. Este teste é cotado numa escala de 0-30, onde valores mais elevados indicam melhor função mental. Os participantes foram divididos em 4 grupos, com base nos níveis de vitamina D: o primeiro quartil com os níveis mais altos de vitamina D e o quarto quartil com os menores.

Os principais resultados deste estudo foram:

– O declínio na pontuação média do MMSE foi maior nos participantes no quartil com os níveis mais baixos de 25(OH)D3 (-3,05), seguido do terceiro quartil (-2,73) segundo (-2,37) e primeiro quartil (-1.44).

– Os participantes com menores níveis de 25 (OH) D3 apresentaram um maior risco de redução ≥ 3 pontos no MMSE no follow-up de 2 anos por comparação com aqueles com níveis mais elevados. (ORs (95% CI) 2.02 (1.24–3.28), 2.07 (1.26–3.41) e 1.83 (1.10–3.05) para o segundo, terceiro e quarto quartil respectivamente)

– A probabilidade de desenvolver dano cognitivo aumentou com níveis mais baixos de Vitamina D; essa relação manteve-se estatisticamente significativa após ajuste para idade, sexo, educação, score basal MMSE, depressão, actividades ao ar livre, atividades limitativas da vida diária e outros potenciais fatores confundentes.

Perante estes resultados, os investigadores concluíram que “baixos níveis de 25 (OH) D3 estão associados com a deterioração cognitiva.”

Embora estudos anteriores tenham mostrado resultados semelhantes, este foi o primeiro a ser longitudinal, incluindo um grande número de indivíduos e de base comunitária. A investigação suporta que a vitamina D desempenha um papel na função neurológica, e pode mesmo ajudar a reduzir o risco de doenças cognitivas, tais como a demência. Contudo ensaios randomizados e controlados são necessários para confirmar estes resultados.

 

Fonte & Referências:

https://www.vitamindcouncil.org/blog/vitamin-d-may-play-a-preventative-role-in-cognitive-decline-in-an-elderly-chinese-population/

Matchar DB, Chei CL, Yin ZX, Koh V, Chakraborty B, Shi XM, Zeng Y. Vitamin D Levels and the Risk of Cognitive Decline in Chinese Elderly People: the Chinese Longitudinal Healthy Longevity Survey. The Gerontological Society of America, 2016.

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