Calcifediol reduz a admissão em Unidade de Cuidados Intensivos em doentes COVID-19? Resultados de um ensaio clínico piloto

Calcifediol reduz a admissão em Unidade de Cuidados Intensivos em doentes COVID-19? Resultados de um ensaio clínico piloto

A infeção pelo novo coronavírus SARS-COV 2, apesar de assintomática ou com sintomas frustes na maioria das pessoas, pode em alguns casos conduzir a quadros de envolvimento pulmonar grave com dificuldade respiratórias agudo necessitando de cuidados intensivos e associando-se a importante morbilidade e mortalidade.

Tem sido proposto que a ativação de recetores de vitamina D pode ter um papel benéfico nos síndromas de dificuldade respiratória aguda, diminuindo a libertação de  citocinas pro-inflamatórias, regulando o sistema de renina-angiotensina, modulando a atividade neutrofílica e mantendo a integridade da barreira epitelial pulmonar e estimulando a sua reparação assim como reduzir o estado de hiper-coagulabilidade. Mais ainda, alguns estudos têm apontado para uma associação de deficiência de vitamina D e maior incidência e mortalidade por infeção SARS-Cov2.

O calcifediol, um metabolito da vitamina D, apresenta boa absorção intestinal, não necessita de ser ativado a nível hepático pela 25-alfa-hidroxilase, permitindo por isso a reposição de vitamina D de forma mais rápida.

Neste sentido foi realizado um ensaio controlado e randomizado, sem ocultação no Hospital Rainha Sofia, Cordoba, com o objetivo de avaliar o efeito da administração de calcifediol em estádios precoces da doença na admissão em unidades de cuidados intensivos e na mortalidade. Alem do tratamento standard, os doentes foram randomizados (2:1) para receberem tratamento com calcifediol (à admissão (0.532md), ao 3º e 7º dia e depois semanalmente (0.266 mg) ou placebo.

Dos 50 doentes no grupo que receberam calcifediol, um foi admitido na unidade de cuidados intensivos, não se tendo verificado nenhum óbito. O risco de admissão na UCI é inferior nos doentes a receberem calcifediol quando comparado com os não suplementados (OR: 0.02. 95% IC: 0.002-0.17), permanecendo inferior quando ajustado à presença de hipertensão e diabetes.

Contudo importantes limitações devem ser reconhecidas neste estudo, entre as quais a reduzida dimensão da amostra e a não ocultação. A consideração de outros fatores de risco associados a formas mais graves de doença como a obesidade ou o tabagismo não foram consideradas.  A amostra do estudo é muito pequena

Os resultados promissores deste estudo piloto, conduziram à realização de um ensaio randomizado e controlado, em dupla ocultação, de maiores dimensões incluindo doentes de 15 hospitais Espanhóis de modo a esclarecer o papel da suplementação com calcifediol na redução da morbilidade e mortalidade associada a infeção por SARS-Cov-2 (COVIDIOL)

“Effect of calcifediol treatment and best available therapy versus best available therapy on intensive care unit admission and mortality among patients hospitalized for COVID-19: A pilot randomized clinical study”. Marta E Castillo et al, J Steroid Biochem Mol Bio. 2020 Oct;203:105751.doi: 10.1016/j.jsbmb.2020.105751. 

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