Cancro do cólon mata dez por dia

Cancro do cólon mata dez por dia

Dez pessoas morrem diariamente com cancro do cólon. Estima-se que em Portugal existam mais de oitenta mil doentes surgindo anualmente cerca de 6400 novos casos. Com uma taxa de mortalidade superior a 56 por cento esta doença que afecta igualmente homens e mulheres é a segunda causa de morte a seguir às patologias cardiovasculares. As pessoas com mais vitamina D no sangue têm menos probabilidade de desenvolver cancro do cólon.

A colonoscopia – exame de observação do recto e do intestino grosso – é o método de rastreio mais eficaz para prevenir este cancro. É obrigatória a partir dos 50 anos, mas “muito poucos médicos têm por hábito prescrever o rastreio do cancro colorrectal e mais de metade da população portuguesa desconhece os sintomas desta doença”, afirmou Vítor Neves, presidente da Europacolon, Associação de Luta contra o Cancro do Intestino. Os cancros do cólon e do recto desenvolvem-se a partir de “lesões benignas no intestino grosso ou cólon, os pólipos, que quando não são detectados e retirados a tempo desenvolvem-se, provocando alterações na função, estrutura e forma das células, levando ao cancro ou malignidade”. De acordo com o especialista, “a alteração persistente dos hábitos intestinais, como o aparecimento de prisão de ventre ou diarreia, a perda de sangue pelo recto/ânus ou misturado nas fezes, a sensação de que o intestino não esvazia completamente, dor forte, desconforto abdominal ou cansaço sem razão aparente” são sintomas que não devem ser ignorados. A prevenção do cancro do intestino é eficaz. Ter uma alimentação saudável é fundamental. “O cancro é criado pelo tempo de permanência dos alimentos no intestino. Daí a importância da ingestão de fibras e líquidos, para fomentar a flora intestinal”. APONTAMENTOS EVOLUÇÃO Todos os anos surgem produtos mais eficazes para o tratamento do cancro do intestino. ESTABILIDADE A estabilidade emocional e um ambiente familiar coeso são fundamentais ao tratamento. OITO ANOS O cancro colorrectal ou cancro do intestino demora entre seis a oito anos a desenvolver-se. CAMPANHAS DE PREVENÇÃO A Europacolon realizou uma campanha de sensibilização junto das escolas, que visa ajudar crianças e adolescentes a adoptar hábitos de alimentação e vida saudáveis, assentes na prática regular de exercício físico. A redução do risco de doença é o grande objectivo. “TUMOR PODE SER CURADO OU ESTABILIZADO”: Vítor Neves, Presidente da Europacolon Correio da Manhã – Quais os obstáculos à prevenção do cancro colorrectal? Vítor Neves – O rastreio é obrigatório a partir dos 50 anos, em homens e mulheres, mas a maioria não o faz porque não é prescrito pelos médicos. Outro problema é o desconhecimento dos portugueses face aos sintomas da doença. – Como é feito o rastreio do cancro colorrectal? – Através da colonoscopia, observação com um tubo fino e flexível com uma luz na ponta, do intestino e recto. E a pesquisa de sangue oculto nas fezes. – Porque é que as pessoas têm receio da colonoscopia? – Há a noção de que é um exame doloroso, invasivo e desconfortável. A maioria dos portugueses desconhece que o exame pode ser feito com anestesia e que existe a colonoscopia virtual. – Quais os factores de risco deste cancro? – Depende, em 10 por cento, da linha hereditária. Os outros 90 por cento estão associados aos comportamentos e estilos de vida individuais. Deve-se praticar desporto regularmente, para controlar o excesso de peso, e manter uma alimentação saudável. – O cancro do intestino tem cura? – Quando detectado numa fase inicial pode ser curado. Mas nada garante que passados seis ou oito anos não haja uma recaída. Mas, quando detectado a tempo, pode ser estabilizado. “SEMPRE ACHEI QUE ME IA TRATAR” Mafalda Beirão, de 55 anos, estranhou a existência de sangue nas fezes e a súbita perda de peso. Não ignorando estes sinais de alarme, dirigiu-se ao médico que, perante os sintomas, pediu que Mafalda fizesse uma colonoscopia. Em Maio de 2006, Mafalda recebeu o diagnóstico: cancro colorrectal. A inexistência de casos de cancro no intestino na família, a prática regular de exercício físico e uma alimentação saudável, rica em sopa, legumes e fruta não colocavam Mafalda num grupo de risco. “Foi um grande abalo”, revela. Aos 51 anos, viu a sua vida completamente alterada. As quatro cirurgias, a primeira de urgência, e as sessões de quimioterapia alteraram a rotina desta antiga secretária, que foi obrigada a deixar de trabalhar. “Sempre achei que me ia tratar, fui apoiada por um médico que não dramatizou a situação”, refere, frisando que contou também com o apoio de familiares e amigos. “Não tenho dores, sinto-me bem”, garante ainda. Actualmente, o cancro está estabilizado mas a paciente continua a ser vigiada, faz quimioterapia de prevenção para avaliar a progressão da doença e evitar uma possível recaída. PERFIL Mafalda Beirão tem 55 anos e mora em Oeiras. Foi secretária numa empresa mas um cancro no intestino, diagnosticado aos 51 anos, afastou-a do trabalho. Contudo, não perdeu a sua boa-disposição e energia positiva. NOTAS OBESIDADE Estudos clínicos provaram que a obesidade está directamente relacionada com o cancro colorrectal VITAMINA D As pessoas com mais vitamina D no sangue têm menos probabilidade de desenvolver cancro do cólon FORMAÇÃO A formação de médicos e enfermeiros para comunicar notícias negativas aos utentes não é a prioridade dos hospitais.

 

FONTE & REFERÊNCIAS

Correio da Manhã

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