Carência de Vitamina D numa População Hospitalar

Carência de Vitamina D numa População Hospitalar

Sumário crítico do trabalho publicado por Maria Joana SANTOS, Vera FERNANDES, Fernando Mota GARCIA. Acta Med Port 2015 Nov-Dec;28(6):726-734

A carência de Vitamina D é prevalente em todo o mundo, estimando-se que afete cerca de um bilião de indivíduos. Diversos estudos têm demonstrado que este é um problema transversal a diversos países desde o ocidente ao oriente, assim como na população urbana de países tropicais. Apesar de não existirem estudos epidemiológicos sobre a prevalência de Deficiência de Vitamina D em Portugal, é expectável que o cenário seja idêntico.

Esta equipa de investigação do Hospital de Braga avaliou os doseamentos de Vitamina D realizados naquela unidade hospitalar entre Junho de 2012 e Novembro de 2014. Este estudo tinha como objetivo avaliar os níveis de vitamina D, a prevalência de níveis insuficientes (≤20ng/ml) e a sua associação com factores sócio-demográficos, período do ano e especialidades requisitantes.

Foram analisados 5430 doseamentos, correspondendo a 3257 indivíduos (55% género feminino, idade mediana de 64 anos), dos quais a maioria tinha apenas um doseamento disponível (61,9%).

Dos doseamentos analisados, 60,3% correspondiam a níveis deficientes (≤20ng/ml), 20,7% a níveis de insuficiência (21-29 ng/ml) e 18,9 % a níveis suficientes (≥30ng/ml). Os autores não identificaram diferença quanto ao género, mas idades avançadas estavam associadas a níveis mais baixos de Vitamina D.

Quando analisaram os níveis de Vitamina D obtidos ao longo dos 12 meses, os autores concluíram que os níveis mais baixos ocorreram no mês de Março (mediana 12 ng/ml) e os níveis mais elevados no mês de Setembro (mediana 23ng/ml). Contudo, mesmo nos meses de Verão apenas 27,8% dos doseamentos analisados se apresentavam dentro de níveis suficientes.

Ainda que revestidos de uma grande relevância clínica e epidemiológica, os resultados deste estudo devem ser interpretados de forma cautelosa dadas algumas limitações inerentes a um estudo transversal, com colheita retrospectiva de dados, numa população hospitalar. Salienta-se ainda a ausência de dados sobre algumas variáveis relevantes como a raça, obesidade, comorbilidades e terapêuticas concomitantes, entre outras. Dado terem sido incluídos na análise estatística os doseamentos repetidos, não se pode excluir o impacto de possível suplementação nos resultados. Os dados são referentes a uma população hospitalar, de uma determinada área geográfica do país, não sendo possível avaliar se podem ser generalizados à população portuguesa.

Apesar de algumas limitações, o estudo demonstra que a vitamina D é muito frequente, pelo menos em ambiente hospitalar. A apreciação da importância social do problema, requer estudos populacionais, de âmbito nacional, que permitam avaliar a real prevalência de Deficiência de Vitamina D na população portuguesa e quais os seus determinantes, de modo a se definirem medidas de saúde pública param a sua prevenção e das suas complicações.

Artigo revisto por Cátia Duarte, Reumatologista do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

Referência:

Santos MJFernandes VGarcia FMVitamin D Insufficiency in a Hospital Population: A Photograph from the Laboratory Perspective. Acta Med Port. 2015 Nov-Dec;28(6):726-34. Epub 2015 Dec 31.

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