Estudo DO-Health: Efeitos da suplementação de Vitamina D e/ou de ácidos gordos ómega 3 e/ou Exercício físico na saúde de idosos.

Estudo DO-Health: Efeitos da suplementação de Vitamina D e/ou de ácidos gordos ómega 3 e/ou Exercício físico na saúde de idosos.

Foram publicados em 10 de Novembro de 2020, na prestigiada revista internacional JAMA, os muito esperados resultados de um estudo internacional de grandes dimensões sobre o impacto da suplementação de vitamina D numa variedade de indicadores de saúde em pessoas com mais de 70 anos. Foram incluídos 2157 idosos genericamente saudáveis de sete centros em cinco países europeus. Portugal esteve representado pela Universidade de Coimbra, num projeto liderado pelo nosso diretor científico: Professor Pereira da Silva.

Limitamos esta análise aos resultados referentes a vitamina D.

Os participantes sorteados para este tratamento receberam colecalciferol na dose de 2000 U por dia, sendo ainda autorizada terapêutica que espontaneamente fizessem até 800U por dia. Esta dose máxima foi também autorizada aos doentes do grupo de controlo. Os participantes foram seguidos, de forma muito rigorosa, ao longo de três anos.

Os resultados foram negativos, isto é, a administração de vitamina D não alterou de forma significativa a incidência de qualquer dos eventos de saúde em estudo: tensão arterial, agilidade física, capacidade mental, fraturas não vertebrais e infeções.

A interpretação destes resultados deve ter em conta que os participantes tinham, à partida, valores médios de vitamina D dentro da normalidade: 22,4 ng/ml e apenas 40,7% tinham valores inferiores ao limiar de normalidade: 20 ng/ml. Este subgrupo não foi objeto de análise separada.

Isto significa, naturalmente, que este estudo demonstra que não é útil administrar vitamina D adicional a quem já tem valores normais, mas não demonstra a sua inutilidade naqueles que tenham carência de vitamina D, porque isso não foi estudado. Trata-se de uma fragilidade comum ao estudo VITAL e outros estudos recentes, como temos apontado.

Visto que a carência de Vitamina D é altamente prevalente em Portugal, os resultados deste estudo não contrariam a proposta de que se promova a administração de vitamina D a todos os idosos, sem necessidade de doseamento prévio, dada a elevada margem de segurança deste produto. Sugerem, contudo, que os médicos mais empenhados em garantir eficácia e adesão à letra da evidência científica possam considerar o doseamento prévio à terapêutica, suplementando apenas os doentes carenciados. Não deverá, em todo o caso, ignorar-se que na ausência de qualquer suplementação a tendência será para que a carência se instale, pelo menos nos períodos de inverno e primavera.

Fonte: Bischoff-Ferrari e col. JAMA 2020;324(18)1855-1868. doi:10.1001/jama.2020.16909

Autor: Professor Doutor Pereira da Silva

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