Luz solar pode prevenir cancros da próstata e da mama

Luz solar pode prevenir cancros da próstata e da mama

Pode ser uma prevenção natural simples e barata. Apanhar um pouco de sol diariamente pode ajudar na prevenção dos cancros da mama e da próstata. Uma investigação do departamento laboratorial do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto observou que ter níveis elevados de vitamina D no sangue pode ser um factor de protecção para cancro e que a exposição aos raios solares é a maior fonte dessa vitamina para o organismo humano.

Rui Medeiros, um dos responsáveis por este estudo, que foi apresentado no último Congresso Nacional de Senologia, no Porto, explica que “basta estar entre dez a 15 minutos ao sol, em três ou quatro dias por semana, para manter bons níveis de vitamina D no sangue.” Esta vitamina, quando está presente em boas doses, actua sobre as células cancerosas, inibindo a sua proliferação. Segundo estudos norte-americanos, em 25 por cento das mulheres com cancro da mama ter-se-ia evitado a doença só com a manutenção de níveis ideais de vitamina D no organismo. E sobre isto, a investigação portuguesa concluiu que as características genéticas e ambientais das pessoas também têm influência na deficiência ou na manutenção de bons níveis daquela vitamina. “Em Portugal, surgem entre três mil a quatro mil novos casos de cancro da mama por ano, o que significa que cerca de mil casos têm possibilidade de ser evitados, anualmente”, refere o investigador. E lembra que, apesar de Portugal ter condições meteorológicas excelentes para esta prevenção, a maioria das pessoas passam o dia a trabalhar em recintos fechados e sob luzes artificiais, fazendo-se transportar em automóveis, em autocarros ou de metro, o que as priva do contacto diário com as radiações solares. As pessoas com tendências genéticas para uma baixa produção de vitamina D têm um risco acrescido de contrair estes cancros quando chegam a idades mais avançadas. “Mas essas pessoas não precisam de um tratamento médico especial, só têm de reforçar os níveis desta substância no sangue, através da exposição da pele à luz solar ou através da alimentação”, explica Rui Medeiros. A alimentação tem um elevado peso na prevenção do cancro e, neste caso, deve-se comer peixe – o bacalhau é uma fonte excelente de vitamina D -, e beber leite. Em alguns países, já são incluídos suplementos de vitamina D no leite, mas na opinião de Rui Medeiros não é necessário entrar em exageros. “É relativamente simples, basta expor uma parte do corpo ao Sol, que pode ser o braço, a cara ou as pernas, durante tempo suficiente para a luz solar actuar sobre a pele, que vai de dez a 15 minutos.” Basta um passeio a pé após o almoço, exemplifica. Numa perspectiva de tratamento da doença, esta investigação do IPO do Porto, apesar de não trazer grandes novidades, alia-se aos estudos já existentes que dizem ser possível controlar a evolução do cancro através da utilização da vitamina D. Mas tal controlo exige que o doente ingira elevadas doses, o que provoca efeitos secundários prejudiciais. Os laboratórios internacionais estão a procurar desenvolver medicamentos que consigam obter o mesmo efeito. Como se estima que nas sociedades ocidentais cerca de 25 por cento dos adultos apresentem deficiências graves de vitamina D, Rui Medeiros defende que serão necessárias novas atitudes perante a exposição ao Sol, mas sempre com o máximo de cuidado, sem exageros.

 

FONTE & REFERÊNCIAS

Jornal o Público

NOTA: Este artigo já não está disponível online.

 

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