Níveis de Vitamina D como biomarcador de prognóstico para cancro da mama

Níveis de Vitamina D como biomarcador de prognóstico para cancro da mama

Apontamentos sobre um estudo prospetivo publicado no JAMA Oncology, em 2016, por parte do excelentíssimo Prof. Luis Costa, consultor científico Fórum D para Oncologia

É surpreendente a consistência dos factos observados em múltiplos estudos sobre os níveis de vitamina D séricos e o prognóstico de muitos tipos de cancro. Os resultados, publicados nas melhores revistas, para melanoma, cancro do pâncreas, cancro da próstata, cancro coloretal, cancro da bexiga (1-6) entre outros, apontam sistematicamente na mesma direção: níveis baixos de vitamina D estão associados ao risco de progressão das neoplasias e ao prognóstico.

É notório que em cancros já em estádio avançado e com reconhecido mau prognóstico (exemplo do cancro do pâncreas) encontramos uma correlação entre uma menor sobrevivência e os níveis mais baixos de vitamina D.

Saliento nesta oportunidade um estudo deveras importante, pelo seu tamanho e por ser um estudo prospetivo recentemente publicado no JAMA Oncology (7).

A população incluída neste estudo foi recrutada na Califórnia, entre 2006 e 2013, e correspondia a mulheres com o diagnóstico recente de carcinoma da mama invasivo. As doentes foram seguidas prospectivamente até aos 96 meses de seguimento para deteção de recidiva ou morte, após terem feito os tratamentos com intuito curativo adequado.

Em 1666 mulheres seguidas e com níveis de vitamina D à data do diagnóstico de cancro da mama, estando representadas na amostra as diferenças étnicas e de subtipo de cancro da mama, constatou-se que as mulheres com níveis mais baixos de vitamina D tinham cancros da mama em estádio mais avançado e de subtipo triplo negativo (ausência de recetores hormonais ou de sobre expressão de Her2) facto que habitualmente implica piro prognóstico. Esta correlação com subtipo triplo negativo era particularmente forte para os cancros da mama que ocorreram em mulheres mais jovens (na pré-menopausa).

A mediana de idades destas mulheres em estudo foi de 57 anos e para o conjunto de todas as doentes, níveis diminuídos de vitamina D estava associados à sobrevivência destas mulheres (o risco de morte era 28% superior para o grupo de mulheres no 1/3 inferior dos níveis de vitamina D em comparação com as que estavam no 1/3 superior). Esta diferença é impressionante quando nos referimos ao risco de morte por cancro da mama, nas mulheres na pré-menopausa: 63% mais elevado se estivessem no grupo de mulheres com os níveis mais baixos de vitamina D. Estas análises de risco foram multifatoriais (são significativas depois de corrigida a análise para outros fatores de risco já conhecidos).

Os mecanismos que melhor explicam estes fatos estão ainda por esclarecer, surgem notas interessantes (1,2) na interpretação do comportamento das células tumorais, ou do estroma tumoral (6) mas é bem provável que explicações mecanísticas relacionadas com o hospedeiro, mais concretamente com a regulação do sistema imunitário (8) venham a ser relevantes. Desta forma poderíamos mais “facilmente” explicar a transversalidade destas observações clínicas.

Um artigo elaborado por:

Prof. Luis Costa – Consultor Científico Fórum D para Oncologia e Diretor do Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria

 

Referências:

1- Bernichtein S, Pigat N, Barry Delongchamps N et al:  Vitamin D3 prevents calcium-induced progression of early-stage prostate tumors by counteracting TRPC6 and calcium sensing receptor upregulation. Cancer Res. 2016 Nov 22. pii: canres.0687.2016. [Epub ahead of print] PMID: 27879271

2- Fenner A: Prostate cancer: Calcium promotes cancer; vitamin D decelerates. Nat Rev Urol. 2016 Dec 6. doi: 10.1038/nrurol.2016.257. [Epub ahead of print]PMID: 27922038

3 – Nyame YA, Murphy AB, Bowen DK et al: Associations Between Serum Vitamin D and Adverse Pathology in Men Undergoing Radical Prostatectomy. J Clin Oncol. 2016 Apr 20;34(12):1345-9. doi: 10.1200/JCO.2015.65.1463. PMID: 26903577.

4 – Yuan C, Qian ZR, Babic A, et al: Prediagnostic Plasma 25-Hydroxyvitamin D and Pancreatic Cancer Survival. J Clin Oncol. 2016 Aug 20;34(24):2899-905. doi: 10.1200/JCO.2015.66.3005. PMID: 27325858.

5 – Fang S, Sui D, Wang Y, et al: Association of Vitamin D Levels With Outcome in Patients With Melanoma After Adjustment For C-Reactive Protein. J Clin Oncol. 2016 May 20;34(15):1741-7. doi: 10.1200/JCO.2015.64.1357. PMID: 27001565

6 – Ferrer-Mayorga G, Gómez-López G, Barbáchano A, et al: Vitamin D receptor expression and associated gene signature in tumour stromal fibroblasts predict clinical outcome in colorectal cancer. Gut. 2016 Apr 6. pii: gutjnl-2015-310977. doi: 10.1136/gutjnl-2015-310977. [Epub ahead of print] PMID: 27053631

7 – Yao S, Kwan ML, Ergas IJ et al: Association of Serum Level of Vitamin D at Diagnosis With Breast Cancer Survival: A Case-Cohort Analysis in the Pathways Study. JAMA Oncol. 2016 Nov 10. doi: 10.1001/jamaoncol.2016.4188. [Epub ahead of print] PMID: 27832250.

8 – Bruns H, Büttner M, Fabri M, et al: Vitamin D-dependent induction of cathelicidin in human macrophages results in cytotoxicity against high-grade B cell lymphoma. Sci Transl Med. 2015 Apr 8;7(282):282ra47. doi: 10.1126/scitranslmed.aaa3230. PMID: 25855493

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