Potencial efeito neuroprotector da Vitamina D no Síndrome Clínico Isolado (Esclerose Múltipla)

Potencial efeito neuroprotector da Vitamina D no Síndrome Clínico Isolado (Esclerose Múltipla)

Um estudo recente publicado no “European Journal of Neurology”, realizado em doentes com Síndrome Clínico Isolado, demonstrou pela primeira vez uma associação positiva entre os níveis séricos de Vitamina D e o volume da substância cinzenta cerebral.

O estudo resultou da análise de um subgrupo de doentes que participou no ensaio clínico STAyCIS que consistiu num ensaio de fase 2, aleatorizado e duplamente cego, para estudar o efeito da atorvastativa comparativamente com placebo no tratamento de doentes com Síndrome Clínico Isolado. Apenas os doentes que dispunham do doseamento sérico basal de 25 hydroxivitamina D e ressonância-magnética cerebral foram incluídos nesta sub-análise.

O principal resultado do estudo consistiu na identificação de uma associação significativa entre os níveis de Vitamina D e o volume da substância cinzenta cerebral, verificando-se que por cada aumento em 25 nmol/l nos níveis séricos de 25-hydroxivitamina D, o volume de substância cinzenta cerebral tinha um incremento de 7.8ml. Esta associação foi independente da idade, da actividade inflamatória na ressonância e do tratamento com atorvastatina.

Adicionalmente verificou-se que no subgrupo de doentes tratados com atorvastatina os níveis de 25-hydroxivitamina D correlacionaram-se negativamente com a actividade inflamatória da doença, definido neste estudo pela redução do número de doentes que tinham ≥ 3 novas lesões na ressonância magnética cerebral ou ≥ 1 surto clínico.

Em conclusão, este estudo sugere que a vitamina D poderá ter um efeito neuroprotector na Esclerose Múltipla minimizando os processos de neurodegenerescência que estão directamente relacionados com a progressão da incapacidade. Por outro lado, parece existir uma interacção entre os níveis de vitamina D e a utilização de estatinas na modulação da actividade inflamatória da doença que merece ser clarificada com estudos adicionais.

Em última análise, é racional especular-se que a suplementação de vitamina D, numa fase precoce da Esclerose Múltipla, poderá permitir uma redução da incapacidade neurológica a longo prazo, impondo-se a realização de ensaios clínicos para estudar esta hipótese.

Revisão crítica por Sónia Batista. Neurologista. Consulta de doenças desmielinizantes do SNC. C.H.U. Coimbra

Referência:

Mowry EM, Pelletier D, Gao Z, Howell MD, Zamvil SS, Waubant E. Vitamin D in clinically isolated syndrome: evidence for possible neuroprotection. Eur J Neurol. 2015 Oct 31. doi: 10.1111/ene.12844.

 

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