Vitamina D e Melanoma Maligno: mais uma confirmação sobre o potencial anti-tumoral da Vitamina D

Vitamina D e Melanoma Maligno: mais uma confirmação sobre o potencial anti-tumoral da Vitamina D

Os resultados dos estudos clínicos sobre o impacto que os níveis de vitamina D têm sobre a expectativa de vida dos doentes com cancro continuam a surpreender.

Um estudo publicado a 21 de Março de 2016 (Shenying Fang et al; Journal of Clinical Oncology) analisou a relação que os níveis de Vitamina D tinham com a esperança de vida (sobrevivência global e Sobrevivência específica por Melanoma) em 1042 doentes referenciados a centros hospitalares nos EUA por melanoma. Este estudo incluiu doentes do estadio 1 ao estadio III/IV (349 doentes neste grupo).

A força deste estudo surge pelo número de doentes colhidos na amostra, por ser um estudo prospectivo e com um análise multivariada que confirma a correlação entre níveis insuficientes de Vitamina D e o risco de morte por melanoma após o seu diagnóstico.

Por cada unidade de decréscimo nos níveis de vitamina D existe um aumento de 2% no risco de morte. Ou de outra forma: o risco de morte é 52% superior para doentes com níveis inferiores a 16 ng/dL em comparação com doentes com níveis de vitamina D ≥ a 16 ng/dL; e 31% superior para doentes com níveis de vitamina D < 20 ng/dL em comparação com doentes com níveis ≥ 20 ng/dL. Estes resultados são independentes dos níveis de proteína C reactiva (um factor de prognóstico conhecido no melanoma). Como é conhecido a exposição aos raios ultravioleta aumenta o risco para melanoma, e este está a ser problema crescente para muitos países.

A incidência de melanoma tem vindo a aumentar significativamente. Para termos níveis de vitamina D adequados não temos de necessariamente estar “perigosamente expostos” à radiação ultravioleta. Em Portugal a exposição de braços e pernas ao sol, sem proteção, por 10-15 minutos, entre as 10 e as 15 horas, de Abril a Outubro poderá bastar as necessidades de todo o ano.

Este tempo de exposição solar não é considerado de risco significativo para cancro da pele, de acordo com as recomendações das associações dermatológicas (http://www.cancer.org.au/preventing-cancer/sun-protection/vitamin-d/how-much-sun-is-enough.html).

O que nos importa descobrir agora, são os mecanismos pelos quais a vitamina D pode exercer um efeito anti-tumoral tão significativo. Existem muitos alvos nesta investigação: desde o controlo da proliferação celular à regulação da resposta imunológica do hospedeiro (factor determinante em todos os cancros mas em particular no melanoma maligno).

A importância da vitamina D nos outcomes de doentes com cancro continua a surpreender e parece ser transversal a muitas neoplasias. Se descobrirmos os mecanismos fundamentais para os factos observados podemos estar em face de dados novos muito relevantes para a oncologia.

 

Texto elaborado por:

Dr. Luis Costa

Key Advisor Fórum D para Oncologia.

Diretor de Serviço de Oncologia do Hospital Santa Maria e Professor na Faculdade de Medicina de Lisboa.

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